sábado, 17 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
Carta do Reitor-Mor ao Movimento Juvenil Salesiano (AJS) - 2012
"Jovens sonhadores, filhos de um pai sonhador"
Mensagem aos Jovens do MJS (AJS) 2012
Meus amados filhos,
Jovens caríssimos do Movimento Juvenil Salesiano
(Articulação da Juventude Salesiana),
Jovens caríssimos do Movimento Juvenil Salesiano
(Articulação da Juventude Salesiana),
escrevo-lhes, como pai e amigo, por meio do meu nono Sucessor.
Tenho ainda impresso na mente e no coração o encontro que tive com vocês em Madri, no dia 17 de agosto, no grande pátio do Instituto Salesiano de Atocha. Uma experiência certamente inesquecível do ponto de vista emotivo, mas principalmente muito significativa do ponto de vista salesiano. Alegrei-me ao ver o seu senso de responsabilidade, o seu orgulho de serem jovens empenhados em viver a própria fé. Admirei o seu desejo de investir bem a própria vida, segundo o projeto de Deus e o sonho que conservam no coração. Comovi-me ao vê-los rezar, acolhendo a Palavra com alegria. Foi um encanto vê-los imersos no silêncio adorante de Jesus Eucaristia. À luz de tudo isso, a alegria de vocês pareceu-me ainda mais bela, mais pura, mais contagiante. Alegrei-me, depois, ao ver entre vocês, com tantos jovens animadores, muitos Salesianos e Filhas de Maria Auxiliadora. Entre eles, vários Inspetores, delegados e delegadas de Pastoral Juvenil. É aí o lugar deles! Presentes e atentos à vida de vocês, aos seus desejos e ao mesmo tempo fiéis acompanhadores do crescimento de vocês e da sua caminhada espiritual.
Estou feliz, também, por saber que estão preparando uma grande festa para 2015. Aqui em cima, no céu, contemplando o rosto de Jesus, conhecemos toda a história que se desenrola na terra. É uma história belíssima porque redimida; entretanto, às vezes, vocês só conseguem ver a história em seus aspectos mais difíceis. Diversamente de quanto talvez pensem, não há distâncias entre nós e vocês, pois bem sabem que, desde o momento em que Jesus entrou na história com o seu Natal, não há nascimento humano que não seja sagrado, não há rosto de criança que não traga impressa nos olhos a Luz resplandecente do Redentor. Essa proximidade torna mais autêntica e eficaz a minha presença entre vocês, real como nos tempos do Oratório de Valdocco em Turim, com a vantagem a mais de poder viver em todas as presenças salesianas espalhadas em 130 países do mundo.
Falo-lhes, pois, como naquela época, com o ardor da linguagem do coração, mais do que com os argumentos lógicos e abstratos, embora reconheça o quanto são importantes na atual confusão e fragilidade do pensamento a clareza das ideias e a solidez das convicções. São muitas as mensagens e mensagenzinhas que vocês recebem, mas eu gostaria que reativassem comigo os canais de uma comunicação intensa, aquela que corre entre amigos inseparáveis de longa data, uma comunicação que é partilha e diálogo.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma de 2012
"Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos
ao amor e às boas obras" (Heb 10, 24)
Irmãos e irmãs!
A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.
Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.
1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.
O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).
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